Revista Cobertura | Edição 171 - page 15

fevereiro2016
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revista cobertura
rente de catástrofe natural, e o Brasil
está exposto aos dois, assim como
os demais países do mundo. “Catás-
trofe natural são eventos decorren-
tes da natureza. No Brasil, sofremos
com inundações, deslizamentos de
terra em grandes centros que cres-
ceram sem planejamento e infraes-
trutura. Ainda que possam não ser
considerados “cat risk”, como é cha-
mado no exterior, não deixam de ser
grandes catástrofes”, avalia.
Já o dano ambiental é decorren-
te de evento causado pelo homem,
seja com ou sem dolo. “Diz-se que
dano ambiental é toda e ‘qualquer
alteração das propriedades físicas,
químicas e biológicas do meio am-
biente, causada por qualquer forma
de matéria ou energia resultante das
atividades humanas que direta ou
indiretamente, afetam a saúde, a se-
gurança e o bem-estar da população,
as atividades sociais e econômicas,
a biota e a qualidade dos recursos
ambientais’”, informa a executiva.
Nathália Gallinari complementa
que “é importante destacar que o gati-
lho das apólices de seguro ambiental
é a liberação de ummaterial poluente
ou contaminante, e que a ocorrência
de uma catástrofe natural não neces-
sariamente poderia vir a acionar uma
apólice de seguro ambiental. O acio-
namento da apólice ocorreria caso
um evento de catástrofe natural pro-
vocasse a liberação do contaminante,
e a consequente poluição”.
Sobre valores adequados para da-
nos a terceiros, em matéria de se-
guros de responsabilidade civil,
Guerrero diz que onde há risco am-
biental há sempre a dificuldade em
mensurá-lo. “O dano consequente é
sempre mais difícil de ser mensura-
do, até onde aceitar um risco de RC”,
pontua, complementando que para
sinistros catastróficos há a oportuni-
dade de comprar apólices com limi-
tes superiores, com a contratação de
resseguro no mercado internacional.
À frente da Comissão de Res-
ponsabilidade Civil da FenSeg, ele
conta que um dos debates é levar o
seguro catastrófico aos municípios.
“Tomando como exemplo uma em-
presa que tem uma exposição catas-
trófica, trazendo isso para a legisla-
ção ambiental e pensando na teoria
do risco, uma cidade que vive próxi-
ma a esta exposição, por si só, deve-
ria contratar um seguro catastrófico,
o que já é comum em outros países.
Na Califórnia, por exemplo, não é
possível vender seguro sem cober-
tura para terremoto”, compara.
Amplitude
Sobre o recente acidente na cidade
de Mariana, Minas Gerais, decorrente
do rompimento da barragem da mi-
neradora Samarco, Cristiane Alves
diz que depois de tudo o que ocor-
reu é óbvio falar de barragens como
a principal exposição no Brasil. “Le-
vantamentos realizados por vários
órgãos públicos e privados, levados
ao público após o acidente, dão conta
que o número de barragens existentes
é alto e a grande concentração está no
estado de Minas Gerais. Mas os da-
nos ambientais não são provenientes
somente de barragens”.
De acordo com ela, o fato é que
convivemos com muitas exposi-
ções, em grau mais ou menos seve-
ro. “Quando viajamos pelas estradas
brasileiras, por exemplo, caminhões
passam por nós transportando pro-
duto químico que se vazar pode
comprometer o meio ambiente. No
litoral paulista, em menos de um
ano, dois episódios ocorreram (em
Santos e no Guarujá). Desta forma,
assim como em todos os países, nós
também estamos expostos a danos
ambientais, porque é inerente ao de-
senvolvimento”, alerta.
Outra forma de risco abordado
pela executiva da ABGR é o passi-
vo ambiental.
“Quando instaladas há décadas
no País, algumas empresas ultrapas-
sando a marca de um século, sem
dúvida hoje carregam passivo am-
biental porque não era um cuidado
que existia no momento em que nas-
ceram. A adequação e reparação, se
necessária, custa caro, custa muito.
Cabe ao gestor de risco junto à alta
diretoria da empresa encontrar a
melhor forma de cuidar de seu pas-
sivo e tratar para que as atividades
atuais estejam protegidas, gerencia-
das de forma a minimizar a probabi-
lidade de perda”, orienta.
Guerrero alerta que a poluição
gradual está muito mais próxima
do que se pensa. “É mais comum
associar sinistros de poluição com
indústrias e armazéns. Mas um con-
Brasil
seguros&riscos
Ramo ambiental
Período
2014 para 2015
2013 para 2014
2012 para 2013
2011 para 2012
2010 para 2011
Fonte:
Susep. Inclui apólices de Transportes e de Obras, e as plurianuais.
R$ 45.029.000
R$ 52.104.000
R$ 39.177.957
R$ 29.800.000
R$ 16.200.000
Prêmios
R$ 9.000.000
R$ 13.800.000
R$ 13.150.000
R$ 8.900.000
R$ 2.300.000
Sinistros
9
8
8
7
4
Seguradoras
Márcio Guerrero
HDI - Gerling e Fenseg
Cristiane Alves
ABGR
1...,5,6,7,8,9,10,11,12,13,14 16,17,18,19,20,21,22,23,24,25,...28
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