Revista Cobertura | Edição 171 - page 20

fevereiro2016
20 revista cobertura
risco difícil, as seguradoras limitam
a sua exposição. Com isso, alguns to-
madores de seguros podem não estar
disponíveis ou, quando dispostos,
praticar preços proibitivos.As taxas
de adoção para o seguro de riscos
comerciais varia consideravelmente
por setor, tamanho da empresa e lo-
calizações geográficas.
Ainda conforme levantamento da
Swiss Re, nos Estados Unidos a taxa
de seguro contra terrorismo em 2012
variou de 42% no setor químico e
81% no setor de mídia, e de 57 % na
Costa Oeste até 74 % no nordeste. A
média das taxas de adoção aumen-
tou de 27% em 2003, o primeiro ano
de vigência da lei de seguro contra o
risco de terrorismo, até um estável
entre 60% e 64% em 2009.
Papel do governo
Em alguns países mais expostos
ao risco há fundos específicos para
essa cobertura, como é o caso dos
Estados Unidos. “Nos países com
mais dificuldade, especialmente
EUA, há um fundo do governo, sub-
sídio que cobre perdas por terroris-
mo. Como no Brasil não há um risco
latente, hoje não existe uma regra
que trate exatamente de um subsí-
dio dado ao seguro de terrorismo”,
esclarece João Marcelo dos Santos.
A Swiss Re, em seu estudo, com-
plementa a visão do advogado, ao
afirmar que em muitos países, os
governos também atuam como segu-
radoras ou resseguradoras a certos
riscos, para complementar os pla-
nos privados.
Os programas de apoio do gover-
no podem fornecer uma solução de
seguro limitado entre o setor públi-
co e privado, quando a avaliação de
risco é especialmente problemática
e a magnitude da perda potencial
excede a capacidade do setor priva-
do, como em casos extremos de ter-
rorismo e desastres naturais.
O levantamento também indica
que a maioria dos países que enfren-
ta o risco de terrorismo têm progra-
mas de backup e alguns emergentes
enfrentam um risco significativo
desses atos, por não teremsistemas
de governança. Cada país desen-
volveu um acordo de seguro contra
terrorismo sob medida para a sua
própria política e o nível de risco
percebido, que é geralmente defi-
nido depois de um grande ataque
terrorista. Vários países tomaram di-
ferentes abordagens para comparti-
lhar o risco do terrorismo entre o go-
verno e o setor de seguros privado.
Por exemplo, Israel, que tem en-
frentado historicamente um eleva-
do custo de terrorismo, oferece uma
cobertura governamental, sem par-
ticipação privada. Já a Alemanha,
fundou a Extremus, uma empresa
de seguros privada, juntamente com
principais resseguradoras alemãs,
que cobre riscos de terrorismo aci-
ma de 25 milhões de euros e tem
um respaldo governamental que co-
bre as perdas acima de 2 bilhões de
euros. Outros países como Espanha,
França, Reino Unido e EUA desen-
volveram diferentes estruturas para
a partilha de riscos entre os setores
público e privado.
Para Jacques Goldenberg, o fator
positivo é que o Brasil é um país
de paz, “porém deve-se considerar
que no final do próximo ano haverá
eventos com representantes esportis-
tas de países que estão em briga com
algumas organizações. Não acredito
que as Olimpíadas aquecerão o mer-
cado de resseguros, porque os jogos
são uma situação pontual. Ainda não
temos uma situação política que leve
a atos terroristas no país”.
Mira da violência
Para estar no alvo dos grupos ter-
roristas é preciso que o país apre-
sente algumas características ou
ações. “Os países que combinam vá-
rios elementos como população mu-
çulmana importante, países que re-
alizam intervenções militares e em
alguns casos, como da França, têm
história colonial, necessariamente
entram no mapa desses movimen-
tos para ser o alvo principal. Nesse
sentido, o Brasil e a América Latina
em geral não fazem parte do alvo in-
tencional desses grupos”, comenta a
professora do centro de pesquisa e
documentação de história contem-
porânea do Brasil, Cecília Baeza.
Porém, ela alerta que no caso das
Olimpíadas é preciso considerar ou-
tros fatores, que ressaltam a impor-
tância do governo se preocupar com
a segurança. “Nesse caso, o alvo são
os turistas no Brasil, como por exem-
plo, em um ataque de avião civil,
como aconteceu com os russos no
Egito. Assim, fica claro que o Brasil
deve reforçar suas medidas de se-
gurança, porque o que os terroristas
buscam é a facilidade”, finaliza.
Brasil
novos riscos
Geralmente, a
cobertura de terrorismo,
quando disponibilizada
pela seguradora, pode
ser contratada como um
adicional nos seguros
de
property
, cobrindo
danos materiais e lucros
cessantes
João Carlos França de Mendonça,
diretor técnico da Yasuda Marítima
Jacques Goldenberg
diretor internacional da MDS
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