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Roubos de bicicleta crescem 37% em SP; Sumaré e Politécnica lideram casos

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01/03/2017 - Folha UOL

Roubos de bicicleta crescem 37% em SP; Sumaré e Politécnica lideram casos

Roubos de bicicletas em SP. Conseguimos dados que mostram que a avenida Sumaré é a via que mais teve roubos de bicicletas no ano passado, em SP. Entrevistamos o analista de informática Maurício Tadeu Bezzuoli Grazzini, 37, que foi roubado na avenida por gangue que atua tradicionalmente por lá. Na última sexta (17/02), ele pedalava pela avenida quando 15 "moleques" fecharam a ciclovia. Sua bike foi levada. Ele havia comprado a bicicleta duas semanas antes, por R$ 1.300. Agora, todos os dias, ele retorna ao local, de carro, para tentar identificar e seguir as pessoas que o roubaram. Ciclovia da av. Sumaré. ( Foto: Karime Xavier / Folhapress).


O analista de informática Maurício Bezzuoli, 37, que foi roubado na avenida Sumaré por gangue

THIAGO AMÂNCIO
LEANDRO MACHADO
DE SÃO PAULO

O gari José de Andrade, 56, tem uma ciclovia à disposição para ir de seu trabalho, no Butantã, até sua casa, no Rio Pequeno, zona oeste de São Paulo. Por medo de assaltos, no entanto, ele abandona a ciclovia e prefere pedalar junto aos automóveis da av. Escola Politécnica, nas imediações da USP.

"Vou no meio dos carros porque me sinto mais seguro. A ciclovia é escura, vazia."

Na capital paulista, houve um aumento de 37% nos roubos -quando há ameaça- de bicicleta em 2016. Foram 439 casos, contra 320 em 2015.

Os números não incluem furtos, quando a bicicleta é retirada do dono sem uso de violência. E, na prática, tendem a ser maiores, já que há muitas vítimas que não registram boletim de ocorrência.

Dados da Secretaria da Segurança Pública de SP, obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação, apontam que, em 2016, a av. Sumaré, na zona oeste, liderou a quantidade de registros.

O histórico dos últimos anos, porém, aponta maior concentração de roubos na avenida Escola Politécnica —campeã disparada na soma de roubos de bicicleta de 2013 para cá, com 45 ocorrências, seguida por marginal Pinheiros e av. Prof. Fonseca Rodrigues, com 16 casos cada.

Em 2016, a Politécnica foi a segunda com mais roubos de bicicleta —empatada com a rua Arlindo Bettio, acesso ao campus leste da USP.

*EXPANSÃO

A cidade registrou 1.438 roubos de bicicletas desde 2013, ano a partir do qual houve expansão das ciclovias pela gestão Fernando Haddad (PT) -foram implantados mais de 400 km de faixas.

No último dia 17, sexta-feira, o analista de informática Maurício Bezzuoli, 37, foi uma das vítimas, na av. Sumaré.

Por volta das 23h, ele pedalava na ciclovia quando um grupo de dez homens fechou a passagem. Ele teve de entregar a bicicleta dobrável que havia comprado duas semanas antes, por R$ 1.300.

"Eu tinha começado a pedalar recentemente, mas agora, com o roubo, me sinto bastante desmotivado a voltar", afirma Maurício.

A ciclovia da Sumaré tem vários pontos perigosos. Até existe iluminação, mas as árvores da rua acabam tapando as lâmpadas, deixando trechos às escuras. A falta de policiamento também é um dos principais problemas relatados por ciclistas.

A reportagem encontrou um cenário parecido na ciclovia da Politécnica, nas imediações do campus da USP: além de falta de policiamento, havia vários pontos com lâmpadas quebradas.

"Raramente vejo policial aqui", afirmou o gerente de TI Luis Afonso Perez, 34, que todos os dias pedala por ali para chegar em casa.

*PERIFERIA

O crescimento dos roubos de bicicleta em 2016, de 37%, foi muito maior do que a alta dos outros roubos em geral na capital paulista —de 3%.

O mapa de onde ocorrem esses crimes inclui diversas ruas e avenidas de fora do centro expandido.

O militante da Ciclocidade (Associação de Ciclistas Urbanos de São Paulo) Daniel Guth avalia que isso mostra que os roubos não estão concentrados em regiões de alta renda, mas atingem toda a população, sobretudo em áreas periféricas, onde a bicicleta é mais disseminada.

Guth lembra ainda que esse tipo de crime é subnotificado. "A bicicleta é um bem que a pessoa tem por anos e circula por diferentes mãos. O comércio de usados é muito expressivo. Muitas dessas pessoas não têm documentos como nota fiscal, o que dificulta o registro do roubo."

Desde setembro, a Ciclocidade trabalha em parceria com a Secretaria da Segurança Pública de SP para melhorar a coleta e análise de dados desse tipo de crime, de modo a facilitar investigações.

A secretaria criou um serviço on-line em que o público pode consultar chassis de bicicletas para saber se há ou não registro de roubo daquele veículo. Há empresas com serviços similares, como Bike Registrada.

*OUTRO LADO

A Secretaria da Segurança Pública informou que tem adotado medidas para conter roubos e furtos de bicicleta. Uma delas, de acordo com a pasta, foi a criação de um campo no boletim de ocorrência para que o cidadão indique o número de série da bicicleta levada.

"Com isso, o policial militar consegue consultar se bicicletas em poder de suspeitos foram roubadas ou furtadas", informou a secretaria. O cidadão também pode verificar pelo site www.ssp.sp.gov.br/consultabicicleta.

Uma outra iniciativa adotada, de acordo com a pasta, foi a criação de um grupo de trabalho "composto por autoridades e cicloativistas, com objetivo de desenvolver estratégias de prevenção".

A secretaria declarou que "a Polícia Militar intensificou o policiamento nas avenidas citadas [pela reportagem] a partir da análise dos registros das ocorrências".

A pasta destacou que das ocorrências que resultaram em perda da bicicleta pelo usuário, em 2016, cerca de 80% foram furtos e 25% ocorreram em vias públicas.


 
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